terça-feira, 4 de julho de 2017

PORQUE HOJE FOI FERIADO...

Hoje quatro de Julho, feriado Municipal da minha cidade (Coimbra), fui dar uma volta pela baixa, volta essa que foi muita curta derivado ao calor que se fazia sentir. Sendo assim, resolvi ir até ao Convento de Santa Clara (hoje é o dia da Rainha Santa Isabel). Entrei, sentei-me, meditei um pouco e depois fui visitar o "Coro Baixo" (que fica ao fundo da Igreja) que foi aberto ao público, julgo, pela primeira vez. Vale a pena.







Regressando a casa, (depois de saciar a sede com uma canequinha de cerveja), fui mexer nuns livros,e encontrei um poema do nosso camarada Carlos Silva dedicado a um amigo de infância, salvo erro com o nome de "Alberto"que passo a transcrever por achar interessante.

      " COISAS DE INFÂNCIA e JUVENTUDE"

Íamos descalços prá escola                        Quando nos juntávamos á lareira
Calça rota camisa remendada                   Todos queríamos o melhor lugar
Nem pobres de pedir esmola                      À roda de uma enorme fogueira
Nem família muito abastada                     Até haver lenha para queimar

O nosso pouco tempo morto                      Na matança do porco p`lo Natal
Era passado na estrada a brincar             Havia sempre garotos á briga
Chateávamos o Belgo e o Torto                Mas ninguém levava a mal
E mais quem vinha a passar                    Vá de jogar a bola com a bexiga

À missa ao Domingo, os dois                   Fomos os dois aos 26 à feira
A seguir, ir à água às fontes                     Comprar onde guardar o dinheiro
Tratávamos do gado, e depois                  Gastamo-lo todo logo á primeira
à doutrina a Regueira de Pontes             Na compra de um mealheiro

Somos quase da mesma idade                 A grande feste dos milagres
A infância e a juventude nos juntou       Onde se calavam as melancias
A primeira experiencia de saudade        O que lá se passava nem tu sabes
Foi quando o Ultramar nos separou      Se agora soubesses até te rias

A tantas árvores trepamos                      Dormíamos no sótão e no palheiro
Mais na época dos ninhos                      O bafo dos animais nos aquecia
Quantos pássaros tiramos                      Era assim a nossa vida de solteiro
Do bagulho aos carreirinhos                 Hábitos da terra onde se nascia

Um simples mal entendido                    Fizeram um grande cortejo
Foi o bastante, o suficiente                   Nas festas de Santo António
Por ires aos ninhos comigo                   Um homem a tocar realejo
Foste castigado injustamente                E outro a tocar  harmónio

Quando brigávamos em garotos           Com os pais prá festa da Ortigosa         
Era como o sol de pouca dura              Pagar a promessa a Santo Amaro
Chegávamos a casa todos rotos            Em curas e milagres era famosa
E vá de porrada com fartura                Santos de cera e bonecos de barro

Muito trabalhaste no campo                Os irmãos mais velhos, é natural
Também foste bem arrastado               Terem os mais novos a guardar
Com a tua paciência de santo              Se lhe acontecesse algum mal
Dificilmente te viam zangado              À noite havia contas ajustar       

Os pais queriam o melhor para nós     Se o pai estiver acordado
E não nos batiam por prazer                Quando a gente for a entrar
Bem diziam as nossas avós                   Se ouvir os passos no sobrado
Quem dá a criação dá o comer             A gente diz que é o galo a cantar

A calma não é preguiça                        O milho no serrado da Avó
É jeito de estar na vida                         Dava muita e boa espiga
Não trocavas nunca a missa                A fruta verde cheia de pó
Nem por uma conversa amiga             É que fazia dor de barriga

Em Angola combateste                        O Natal com o presépio pobrezinho
Pra onde foste mobilizado                   Na Páscoa é que se tirava o folar
Um amigo lá perdeste                          Pelos santos pedíamos os bolinhos
Por ti sempre recordado                      E nas festas é que era namorar

O pior que nos podia acontecer          P`lo carreiro do lavradio
Era ir prás terras ao Domingo           Íamos para lá da Amieira
Às vezes sem comer nem beber          À caruma a tiritar de frio
Do calor a suar feitos num pingo      Pra noite acender a fogueira

Á frente das vacas a lavrar                A brincar com os primos
Pra bem acabar a sementeira            Atirar fruta a quem passa
Contentes e alegres a assobiar           Muito a gente nos rimos
Já se vê a merenda na poceira           No barreiro da avó da ouraça
       
A nossa mãe bem nos ensinou          Temos um fato novo
Sempre à noite o terço rezar              P'ra estriar nos dias das festas
E nunca ninguém se deitou              O que dirá agora o povo
Sem antes na bacia os pés lavar       Ao ver uma coisa destas?

                                   No dia da primeira comunhão
                                   Lavavas um fatinho branco
                                   A vela acesa numa mão
                                   Na outra a pagela do santo.

                                                            Autoria do nosso camarada Carlos Almeida da Silva

Pronto. Fico por aqui. Continuação de uma boa semana para todos. SANTA.
                                           






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